Proteja seus discos óticos de danos é um pesadelo. Você guardou aqueles arquivos preciosos, os vídeos de infância e toda a coleção de textos que você já escreveu em um disco ótico. Então, depois de três anos, você decide matar as saudades, pega o disco e sente aquele arrepio seco. O mofo está destruindo tudo. Pior ainda é quando você pega o disco, que está intacto, e o deixa cair no chão por acidente, só para sentir a ação devastadora das rodas do "velotrol" desgovernado de uma criança. Riscos profundos e dolorosos arruinaram o seu disco. Parece exagero, mas essas coisas acontecem com muita frequência. E quando não são suas memórias que são destruídas, são seus jogos, DVDs ou Blu-rays que vão para o vinagre. Nesses casos, o prejuízo pode passar de R$ 350. Para evitar essas surpresas desagradáveis, basta tomar alguns cuidados básicos ao manipular, guardar e até mesmo antes, ao gravar o seu disco. Se o pior acontecer, existem várias alternativas para recuperar seus discos óticos. às vezes, um pouco de detergente neutro, água e carinho podem devolver seu disco ao mundo dos vivos. Mesmo riscos profundos têm jeito, com a ajuda de profissionais. Em uma pequena sessão de restauração um disco fica como novo. O que muita gente desconhece é que mesmo a menor das sujeirinhas pode ser letal para o seu aparelho reprodutor de discos. Uma simples marca de dedos é o suficiente para literalmente fritar a cabeça de leitura do seu equipamento. Se for um aparelho do porte do PlayStation 3, então, o prejuízo é monstruoso. Fritar um diodo de laser azul gera um prejuízo de no mínimo R$ 600. Mesmo a manipulação cuidadosa dos discos pode causar danos severos. As bordas dos discos, a parte que entra em contato com os dedos, pode sofrer severa oxidação por causa da gordura natural da pele. A saída para isso é fazer uma faxina esporádica. Mesmo discos bem guardados, com os devidos cuidados, demandam uma certa atenção para durarem vários anos. Pelo menos uma vez por semestre, pegue todos os seus discos e limpe-os com um pano macio seco. Se puder, passe um paninho imediatamente após o uso. Parece exagero, mas isso garante que o disco dure décadas se bem armazenado. Discos óticos demandam o mesmo tipo de cuidado que um óculos. Cuide bem deles. Molhados ou limpos Utilizar discos sujos invariavelmente causa a ruína do seu leitor de discos, seja ele instalado em um PC, tocador de DVD, videogame ou tocador de Blu-ray. Você não só pode como deve sempre limpar seus discos óticos. A sujeira mais comum que existe é o pior vilão contra os discos: as marcas de dedos. Além de sobrecarregar os aparelhos leitores, forçando-os a tentar ler as informações contidas no disco, essa sujeira acaba arruinando o disco com o passar dos meses se nada for feito. O mofo, que aparece quando o disco é armazenado de maneira errada, também pode ser letal se não for combatido. Com o tempo, substâncias secretadas pelo mofo podem decompor o plástico do disco - especialmente dos CDs, que têm sua camada gravada localizada logo abaixo do rótulo - e destruir para sempre as informações armazenadas. Nesses casos, o melhor a fazer é limpar o disco. O primeiro passo é utilizar um pano macio, de microfibra de algodão, para a limpeza. Passe o pano delicadamente do centro para a borda externa. O pano também pode ser levemente umedecido com água. Se precisar de munição pesada para limpar, um pano umedecido com álcool líquido (nem pense em usar álcool gel!) na parte reflexiva do disco costuma resolver. Limpadores instantâneos, do tipo Veja, podem ser usados, desde que logo em seguida se passe um pano umedecido com água para retirar os resíduos da superfície do disco. Cuidado redobrado! Você também pode lavar seus discos. Primeiro, inspecione as bordas interna e externa. Se não houver rachaduras, é seguro lavar o disco com detergente neutro. Esfregue cuidadosamente a superfície usando apenas a ponta do seu dedo. E depois seque bem o disco, com o mesmo pano de microfibra. Quem guarda, tem Outro fator crucial na durabilidade dos seus discos é o modo como são guardados. Exatamente como óculos, eles precisam de proteção e cuidado, ou vão se estragar. A escolha da caixinha é vital. Uma caixinha fina demais ou feita com plástico de baixa qualidade, que entorta com a ação do tempo, vai inevitavelmente afetar o disco. No caso de CDs, é importante investir nas caixinhas compostas, feitas com um "berço" de plástico rígido recoberto por acrílico. é o tipo de caixinha que acompanha a maioria dos CDs de música que vêm com encarte. Caixinhas fininhas ou envelopes de papelão não são ideais, pois podem entortar e acabar empenando o disco. E se o disco não estiver perfeitamente reto, ele acaba vibrando tanto que pode estraçalhar dentro do leitor ou prejudicar o alinhamento do canhão emissor de laser. Nos DVDs, as caixinhas mais baratas, feitas com plástico de segunda, sempre entortam. A caixinha precisa ter uma espessura decente e o plástico precisa ser resistente. Faça o teste: se a caixinha se dobrar com muita facilidade e não voltar à forma original, esqueça. Os pinos que acompanham as mídias virgens só servem para armazenamento industrial. Um simples grão de poeira alojado entre os discos pode ter efeitos catastróficos. Sem contar que o centro de gravidade instável dos pinos acaba aumentando o risco de quedas acidentais. Cuidados na gravação Para não perder tempo, dinheiro nem seus dados, é muito importante investir em uma mídia de qualidade. Discos baratos demais, vendidos nos camelôs, dificilmente têm a mesma qualidade dos discos vendidos com caixinhas decentes, com nota fiscal em grandes lojas. Esse tipo de mídia mais barata serve para transferir um arquivo, passar para um amigo, mas não para estocagem de dados de longo prazo. é melhor pagar mais caro - a diferença pode chegar a 50% do preço do mercado informal -, mas gravar com a certeza de que seus registros não se perderão. Decidida a mídia a ser utilizada, o passo seguinte é acertar na hora da gravação. A velocidade de gravação máxima estampada no rótulo do disco (como 52x, no caso dos CDs, ou 8x no caso de DVDs) é um bom indicativo da sensibilidade da mídia. Quanto mais melhor. Para garantir que os dados fiquem bem gravados, porém, o recomendado é utilizar a velocidade mínima de gravação que seu equipamento permite. Apesar de demorado, o processo de gravação lenta permite que o feixe de laser fixe melhor as informações no disco. Leitores mais antigos normalmente não têm a capacidade de entender os discos gravados em velocidade mais alta. Gravando na mais baixa, a compatibilidade com leitores mais antigos aumenta muito. Outra manobra indicada para gravar um bom disco é encerrar a sessão de gravação depois de terminar de registrar os dados. Nos programas de gravação dedicados, basta selecionar a opção Fechar Sessão. Se você grava os discos diretamente pelo Windows, basta entrar no Windows Explorer (tecla Windows junto com a tecla E), clicar com o botão direito sobre a unidade de disco e selecionar a opção Fechar Sessão. Assim, o disco ficará compatível com qualquer aparelho. Trabalho para profissionais Depois de perder vários de seus discos, o empresário Itamar Zanini decidiu dar um fim ao seu problema. Ele e um antigo sócio desenvolveram uma técnica de recuperação de discos que, além de extremamente eficiente - recupera mais de 90% dos discos danificados -, é bem mais segura que os processos que utilizam máquinas automáticas. "Funciona como o polimento de metais", explica Zanini. "Em vez de pagar US$ 30 mil em uma máquina profissional, bolamos uma solução que custa R$ 400." A maior dificuldade no processo foi desenvolver os discos de polimento, os elementos rotatórios acoplados a um motor estacionário de 0,5 HP (cavalos-força), que não agredissem o disco. Agora, Zanini oferece o serviço em sua oficina própria, a iTech, localizada na Santa Ifigênia. O principal interessado nesse tipo de serviço é quem investe até R$ 300 em um game original, seja em DVD ou Blu-ray. Ele cobra uma porcentagem de 10% do valor do disco para recuperá-lo - os valores variam de título para título - e, antes de começar o serviço, emite um relatório que avalia a condição do disco. "Há discos com trincas no anel interno que simplesmente não aguentam a vibração da máquina. Nesses casos, evitamos fazer o serviço, para não prejudicar o cliente", afirma ele, cuidadoso. Zanini utiliza uma cera de polimento automotivo muito suave para desgastar a superfície dos discos em frações de milímetro. Mesmo assim discos mais avançados, como Blu-rays, que contam com um verniz protetor, demandam mais cuidado no polimento. Se a camada gravada de um Blu-ray for exposta ao ar, pode oxidar rapidamente, inutilizando o disco. Quanto às soluções caseiras, ele adverte: "é muito difícil fazer sozinho. Tem gente que usa Dremel (uma espécie de minifuradeira), furadeiras comuns... é muito arriscado, pois, se você não tem noção exata da força com que faz o polimento, o disco pode ficar arruinado." Fazer o trabalho sozinho também pode ser perigoso. Os discos podem ficar enroscados nas almofadas de polimento e estilhaçar, causando sérios ferimentos. Por isso, é melhor deixar o trabalho com os profissionais. Há uma série de lendas em torno da recuperação de riscos em discos. Muita gente usa creme dental, mas os resultados raramente são satisfatórios. Além de tomar um tempo enorme, a tarefa é arriscada, pois a abrasão excessiva pode danificar ainda mais o disco. Polidores de metais, como Kaol e Brasso, também são complicados, pois além de desgastar demais o disco, podem gerar calor exagerado pela abrasão. Engenhocas de polimento de discos quase nunca dão certo, razão pela qual não podem ser encontradas facilmente no Brasil. Adesivos protetores também são ruins, pois podem entortar os discos a longo prazo
Fonte: IG Tecnologia
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